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  • Neiva Alves Ribeiro

O ENVELHECIMENTO HUMANO, O CONTEXTO SOCIAL E A MULHER


O tema envelhecimento é um tema instigante, o mundo caminha para o envelhecimento de forma galopante e o mais preocupante é que não estamos preparados emocionalmente para transpor esta fase que se faz visível em todos os aspectos. O contexto social não considerou o envelhecimento do mundo, não sabemos o que fazer com nossos velhos. Os que se aposentam, ficam sem rumo e procurando novos direcionamentos. Já o jovem, por sua vez, repudia o velho, ou desconsidera que daqui a muito pouco será a vez dele, que hoje desfruta dos privilégios da juventude.

Vamos aqui nos reportar ao feminino e como a mulher está lidando com o momento de envelhecer numa sociedade que enaltece tudo o que é novo, e descarta com muita facilidade o que envelheceu, trocando facilmente, a exemplo de eletro domésticos, telefones celulares ou qualquer coisa que a tecnologia aponta como sendo de uma nova geração.

Seremos em 2025 a sexta nação do mundo com expressivo número de velhos e apesar de sermos um país em desenvolvimento, nossa população conta com os avanços da medicina que nos trazem antibióticos e vacinas que proporcionam uma vida mais longa e um envelhecimento que se faz diferente daquele que nossas avós o tiveram. Contamos ainda dentro dos recursos da medicina, com as cirurgias e procedimentos estéticos que estão junto com o prolongamento da vida, proporcionando o rejuvenescimento tão esperado e cogitado, principalmente, pelas mulheres. Sem dúvida é um momento de modificação do perfil demográfico e acreditamos que o papel da mulher, na sociedade, terá expressiva relevância. Esta mulher que hoje é mais velha, outrora casou, criou filhos e paralelamente, fez carreira, revolucionou o mundo com suas ideias, saindo à rua para trabalhar, estudar e conquistar o direito ao voto, numa época onde as mulheres, apenas se preocupavam em cozinhar e cuidar dos filhos. Esta geração queimou sutiã em praça pública e aqui está novamente num momento de transformação social.

Porém, não devemos estar interessadas em velhos discursos nos quais a mulher está a superar o homem, seria o mesmo que o feminino irá superar o masculino, ou ainda, pobres mulheres subjugadas, inferiorizadas, vítimas do mundo, sobre carregadas no terceiro turno. Nada disto, o mais importante e nos voltarmos para o feminino e o masculino num pensamento de completarem-se, ou seja, como a metáfora do espelho. É no outro que me reconheço é no outro que me torno um ser humano mais completo e bonito.

Em “O velho e o Mar” um clássico de Ernest Hemingway escrito em 1951 e publicado em 1952, o autor conta sobre um velho marinheiro que se propõe a mostrar aos mais jovens do que é capaz. Então pesca o maior peixe, tão grande que este não entra dentro do barco e o marinheiro precisa então amarrar seu troféu do lado de fora da embarcação e logo o troféu é comido pelos predadores. Será que ainda somos tentadas a viver sob os ditames da revolução feminina, ou seja, provando coisas, principalmente o valor feminino.

Segundo dados do IBGE no Brasil existe uma diferença de expectativa de vida entre homens e mulheres de mais ou menos sete anos e ainda conforme aquele instituto esta diferença, está pautada por vários fatores, os homens cuidam menos da saúde pessoal, negligenciam exames médicos, periódicos e preventivos. Soma-se ao fato as mortes consideradas violentas, como acidentes automobilísticos, homicídios e o abuso de bebidas alcoólicas, sendo então fatores, que proporcionam à mulher maior longevidade. Desta forma, espera-se que a mulher possa ser uma das protagonistas no novo perfil demográfico.

Uma nova consciência está surgindo sobre o que significa ser velho, questionamentos sobre envelhecer e o significado que estas coisas possuem hoje. Ou será que o número de anos na carteira de identidade, definem uma pessoa, possivelmente não, e a tecnologia, como já mencionamos aí está, para favorecer o que o tempo, as vezes, desfavoreceu. A postura frente a vida, o sorriso, um bom batom, muita água, exames de rotina, exercícios físicos, a energia que uma mulher pode emanar, sua alegria e determinação para vencer obstáculos são atributos que costumam derrubar números na carteira de identidade. A exemplo de inúmeras mulheres que brilharam mesmo após sessenta anos, ou mesmo deixaram um importante legado após suas mortes.

Simone de Beauvoir-1908 à 1986 filósofa e escritora que não teve vergonha de ser chamada “companheira de Sartre”.

Raquel de Queirós- 1901 à 2003 jornalista e primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

Maria da Penha- Farmacêutica e vítima de inúmeras agressões domésticas, autora da Lei Maria da Penha e coordenadora da Associação de Parentes e Amigos das Vítimas de Violência.

Bruna Lombardi- Atriz Brasileira.

Constanza Pascolato- Consultora de Moda.

A mulher dos tempos atuais trabalha é diretora em grandes organizações, altas executivas, profissionais liberais, intelectuais, enfim, profissões que lhes configuram satisfação e que em nada se assemelha a época das nossas avós, nossos filhos certamente lembram das queridas vovozinhas sentadas em cadeira de balanço, a tricotar. Os sessenta anos de hoje é único e cabe a mulher lidar com este novo aporte que vai desenhar um outro perfil. Assumir sua parte e unir-se a outras mulheres produtivas e que se comportam de maneira semelhante, não para mostrar algo ao sexo oposto, e sim, ajudar a passar o umbral social onde está a se configurar o novo, porém, ainda dirigido por velhos comportamentos, que pedem a quebra de modelos pré-estabelecidos e que falem uma nova linguagem, os chamados “Gerontolescentes”. Esta nova nomenclatura que substitui a palavra “velhos” pode ser comparada a fase da adolescência, a diferença e que esta dura alguns anos, já os gerontolescentes terão uma transição grande no ciclo da vida.

Não pretendemos pintar a velhice como algo que está longe de doenças e limitações, porém se houver saúde física e psíquica estas limitações podem ser minimizadas. Os arsenais de recursos estéticos, cremes que proporcionam um pele com viço e brilho, cirurgias que atendem o pedido de parecer apenas descansadas, os incontáveis recursos médicos, e mesmo, o surgimento da consciência que velho, velha, não precisa ficar sentado esperando a morte e que ainda são muitas as chances que este período da vida pode proporcionar. Sem esquecer o fato da experiência em ter vivido profundas transformações sociais onde elas mulheres se voltaram para a vida sexual, profissional e principalmente, em alguns momentos, apenas se adaptaram as mudanças e em outros provocaram a mudança.

A passagem do tempo é implacável, porém, a vitalidade de uma cabeça que se mantém atualizada e em busca de novos desafios e benfeitorias caracterizam as mulheres maduras dos tempos atuais, que podem lançar mão de várias estratégias que lhes possibilitam manter um funcionamento de forma jovem e visionária.

A mulher enfrentou muitos desafios e mesmo com o advento da pílula, foi difícil criar os filhos que escolhia ter, sair as ruas e ser bem sucedida, continuar educando os filhos, mantendo a casa, marido, encarando estas responsabilidade e tendo êxito. Levar a profissão com sucesso, conciliando com um bom casamento e ainda um mestrado, doutorado, especializações, MBAs, ufa que bagagem. Certamente esta batalha teve seus frutos na mulher madura com mais de sessenta anos, mulher esta que agora não mais precisa ter filhos pequenos, eles estão criados, a vida econômica se estabilizou, o casamento primeiro ou segundo vive sua fase de estabilidade e a mulher está livre para florescer em sua exuberância, podendo colher os frutos de uma vida onde plantou e agora pode agregar tudo o viu, ouviu e experimentou, trazendo ao mundo está bagagem que foi construída.

A mulher encontra-se pronta para dar opiniões, lapidar o momento de transformação, para tanto, no intuito de consolidar esta situação a mulher precisará união com outras mulheres e permissão dela mesma para viver tudo que construiu e principalmente viver sua fertilidade, desta feita, não mais para procriar seres humanos, e sim, suas ideias inovadoras que vão ajudar na transição que se avizinha.

Junto na transição também estão os homens de sessenta ou mais anos, vivendo numa sociedade implacável que não costuma ver com bons olhos aquele que atingiu a maturidade, principalmente no Brasil onde as pessoas possuem dificuldades para planejar o futuro. É necessário e urgente revermos questões que foram e ainda são relegadas ao segundo plano, nossas estereotipias sobre o envelhecimento, urge serem revistas e atualizadas. Descartamos, máquinas, roupas e até o ser humano que ousou envelhecer. Já dizia o velho ditado “O diabo não é sábio por ser diabo, e sim, porque é velho”. Nunca se viu tantas empresas que abrem durante o dia e somem como raiar do novo dia, pois não é o bastante ser jovem para empreender um negócio e faze-lo manter-se. O homem velho é sábio pela experiência que é a sua fonte de segurança, capaz de proporcionar-lhe continuidade a qualquer empreendimento, seja ele qual for. O talento é necessário e não tem idade e nem sexo, mas requer parcimônia, para levar adiante projetos e sonhos. Ainda mencionamos profissionais liberais, a exemplo de serem procurados, por serem mais velhos e seus clientes os citarem em causas e projetos que demandam alta complexidade, confidencialidade, sendo estes profissionais de extremada confiança e com o atributo da sabedoria e a experiência que a vida lhes agraciou.

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